ENTREVISTA: M Shadows para a rádio BBC 1

M. Shadows fez participação no programa “Rock Show” da rádio inglesa BBC 1, onde conversou com Daniel P Carter sobre como tem sido a turnê europeia do Avenged Sevenfold, a oportunidade de ser a atração principal no Download 2014 e o fato de gerações passadas darem chance para novas bandas.

Daniel: – “O novo álbum “Hail to the King” está dando o que falar. Esse é o “Black Album” deles, é o que os puxou de volta ao topo, então vamos saber o porquê. O que fez esse disco tão diferente? Foi a produção?”

Shadows: – “Olha, eu acho que a produção o fez bastante incomum, mas não diferente, escrevemos da forma que desejamos, como sempre, mas tínhamos certeza de que queríamos um som mais pesado e montar um imenso cenário, com história. E para fazer isso tivemos de escrever o mais que rápido que pudemos, músicas que requerem muito barulho, muita batida, para causar mesmo, sabe? Coisas novas na bateria, muita coisa nova e louca, como um símbolo, um brinde. Então, esse foi o primeiro passo na produção desse álbum, conseguir o tom que queríamos, e logo depois começamos a lidar com a escrita, encaixar aqui e ali, fazer ajustes, dando ideias ao Mike, trabalhando em time, tendo certeza de que tudo ficasse o mais perfeito possível. Revemos os tons e tratamos de tudo com o Mike, ele é o tipo de cara que realmente sabe o que fazer em um estúdio, e basicamente ele pôde fazer tudo que pretendíamos, então mostramos para ele alguns exemplos do que queríamos fazer e ficamos lá o dia inteiro, nos esforçando para aquilo dar certo. Produzir esse álbum sem The Rev foi o mais difícil, emocionalmente, sabe? Lembramos dele todos os dias, apesar dele não estar lá. Quando estávamos com ele, no final do dia nós analisávamos as músicas em grupo e Jimmy era o tipo de cara que escrevia suas próprias músicas e nos entregava, ele sempre estava lá para completar e sofisticar o nosso trabalho, então, no final do dia ainda estávamos fazendo isso, mas não o tínhamos lá para nos ajudar com o encerramento, e por isso demoramos mais, foi um longo processo. Ele nos mostrava suas músicas e elas podiam e não podiam participar do álbum, mas pelo menos tínhamos algo extra, que podia ser útil, sabe? Dessa vez tivemos de mudar, não escrevemos sete músicas, escrevemos dez, porque Jimmy não está mais lá para contribuir. Estou falando do emocional também, você está lá todos os dias e fica pensando como o Jimmy ia querer que fosse, o que ele ia pensar… Quando você cresce ao lado de alguém e vive com ele por 18 anos, passa a conhecer a personalidade dessa pessoa muito bem, e nós sabemos que tem muita coisa nesse álbum que o deixaria muito animado. Como o novo estilo da bateria, ele concordaria 100% porque muitas bandas as quais crescemos ouvindo tocavam dessa maneira, e eu acho que ele ficaria muito feliz por isso. Então, tivemos muitos altos e baixos, sabe? Olha, quando nós iniciamos a nossa carreira, vimos que existiam muitos tipos de músicas e bandas, e tudo que queríamos era criar algo diferente. Porém no começo, antes do Sounding The Seventh Trumpet era difícil, porque ainda estávamos aprendendo a usar os instrumentos, com exceção de Jimmy. Synyster Gates não estava conosco ainda, eu e Zacky pegávamos a guitarra e tentávamos fazer um punk rock, mas também tocávamos hardcore e metal, porque o pessoal gostava. Não podíamos nos comparar com as grandes bandas, então apenas tentávamos fazer uma representação do que garotos de 17 anos queriam e acho que “Waking the Fallen” foi um espelho disso, nós pegamos nossos instrumentos e fizemos, parcialmente, tudo o que queríamos, sabe? O lado técnico da coisa. Queríamos fazer mais metal, e todas as vezes em que tentávamos mudar, pensávamos que o que vinha depois seria o que os nossos corações sentissem, mas devíamos sempre melhorar e melhorar, e nesse álbum (HTTK), foi tudo sobre algo mais pesado e maduro, algo poderoso. Queríamos trazer de volta algumas coisas e ter certeza de que todo mundo estava fazendo sua música, mas não para si mesmo, e sim para todos. Então isso foi algo que nos fez crescer, e o próximo álbum pode ser um progresso, mas agora o que queremos fazer é… sei lá, sentimos que evoluímos um pouco à cada álbum, em termos técnicos, energéticos e tal. Fizemos algo diferente nesse álbum, apenas para manter as coisas interessantes para nós mesmos.”

– Pausa e trecho de Hail to the King.

Shadows continua: “Quero que os curtidores de metal saibam que eu nunca tive a intenção de receber esses tipos de comparações, e após o HTTK sofremos muitas críticas, isso fez dessas pessoas cruéis. Na realidade, muitas das bandas de que eu gosto são novas, digo, como nós, e eu gosto do que eles estão fazendo, eu os entendo, gosto da energia deles, o que quer que eles estejam fazendo, eu curto. Mas, realmente queremos transcender algumas coisas pelas quais estamos muito felizes agora, e um exemplo dessas coisas é, sabe… a influência do Zeppelin, do Black Sabbath e essa pegada “blues”, todas as bandas desde Pantera à, sei lá, o “Black Album” do Metallica, tudo isso recebe uns riscos de “blues”. Têm certas bandas de metal que estão sendo ignoradas, meio que são levadas para um lugar diferente, mas isso acontece porque focam muito na bateria e eu me pergunto o porquê disso. Por que não focar mais na parte do “groove”? Foram coisas que fizemos nesse álbum, por motivos pessoais e realmente não temos nada a ver com o que essas bandas estão fazendo, porque cada uma dessas bandas sabe o que faz, de forma única, e tem suas próprias opiniões sobre o que acham que é legal. Possuímos uma bagagem legal, mas na verdade é meio engraçado porque estávamos fazendo uma turnê com Deftones e Ghost pela América e, agora pela Europa com Five Finger Death Punch e Device, e na verdade é uma turnê divertida, porque Device e FFDP provavelmente tocam melhor na América e Deftones e Ghost provavelmente tocam melhor na Europa. Uma das razões pela qual estamos fazendo isso é porque realmente queremos dar uma chance a algumas bandas americanas na Europa, pois passamos por isso e conseguimos a nossa chance graças ao Metallica, e NÃO somos o Metallica, mas muitas bandas precisam de uma chance para ser conhecidas na Europa, especialmente se forem americanos, e por isso tentamos ajudar. Foi muito difícil para nós, precisamos de cinco álbuns para finalmente conseguirmos algum respeito e reconhecimento em lugares como Alemanha. Então estamos tentando ajudar o FFDP e Device, fazendo shows pelo Reino Unido, shows que realmente achamos que as pessoas vão gostar, e na América estamos fazendo a mesma coisa, tentando introduzir a fãs americanos bandas como o Ghost. Todos já conhecem os Deftones, obviamente, eles são uma lenda. Mas, estamos tentando abrir mais espaço e conseguir para essas bandas respeito e reconhecimento. E eu sinto que isso vai ser ótimo, eles fazem ótimos shows e eu não posso falar por eles, mas eu sei que levaremos uma energia forte em termos de apresentação.”

Daniel: “Eu espero por fogo! Muito fogo. Explosões, chamas e metal! Beleza?! Combinado? É isso aí.”

TRADUÇÃO: Hanna Dara

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