Musician’s Friend entrevista Synyster Gates

A Musician’s Friend conversou com Synyster Gates sobre como o guitarrista terminou trabalhando com a Schecter, tendo 100% de entrada em seus projetos de guitarra, como ele usa o sistema Sustainiac, Hellwin amplificadores, como seus equipamentos tem evoluído durante os anos, a parte da guitarra mais difícil que ele teve de escrever para o “Hail to the King” e mais.

Confira a tradução abaixo:

MF: – Como você terminou trabalhando com a Schecter?

SG: “No momento em que estávamos trabalhando no álbum “Waking the Fallen”, em 2003, nosso produtor, Andrew Mudrock, foi patrocinado pela Schecter. Eu usei a Schecter no estúdio em todos os solos. Eles tinham guitarras realmente ótimas que funcionaram muito bem, então nós tentamos com que eles nos assinassem. Eles ainda não tinham ouvido falar de nós, então estavam tipo “Nós não sabemos, vamos dar uma olhada”. Assim que o disco saiu, houve uma quantidade razoável de sucesso “underground” e eles eram a única empresa disposta a dar a uma pequena banda de metal, uma chance. Eles nos deram um monte de guitarras, e depois de dois anos, eles me perguntaram se eu queria fazer um modelo de assinatura com eles. Eu fiquei honrado e tenho me divertido com esses caras desde então.”

MF: – O que foi, especialmente, que lhe conduziu a Schecter?

SG: “Com certeza, foi um sentimento, uma sensação. Eu sou, definitivamente, um cara duro, mas gosto que as coisas funcionem. Eu acho que se você tem um estilo, você acaba sendo você mesmo, não importa como, bom ou ruim. Eu simplesmente gosto do conforto da certeza de que eu vou pegar um instrumento e ele vai tocar de forma surpreendente.”

MF: – Que tipo de entrada você teve em seus projetos?

SG: “Cem por cento. Eles foram muito legais. Eles me deixaram projetar exatamente como eu queria. Eu peguei algumas coisas de suas guitarras já existentes e transformei. Na época, o “Avenger”, por coincidência, era o nome do estilo de corpo. Eu realmente gostei daquilo, achei único. Usei isso no clipe de “Bat Country” que nós gravamos em 2006, antes de eu conseguir o modelo de assinatura com eles. Então, eu adicionei o cabeçote customizado e os captadores dos quais gostei. Basicamente, foi isso.”

MF: – Como você fez para escolher as diferentes características de cada um dos seus quatro modelos de assinatura?

SG: “Eu realmente gostei do modelo de assinatura de Dimebag Darrell. Sempre foi muito chamativo e legal, suficientemente diferenciada das outras guitarras, ao invés de seguir a rota de Slash. Eu queria fazer uma coisa única, de minha autoria, e eu gosto do chamativo. Então nós fizemos diferentes trabalhos de pintura, e eu pensei que aqueles “riscos” fossem legais e pareciam se encaixar como uma coisa icônica. Nós misturamos, combinamos cores diferentes e tal. Fizemos combinações muito legais, como o branco e o dourado, mas o preto e o dourado é provavelmente minha combinação preferida agora. Eu queria iconizar a placa de dedo também, e colocar meu nome nela. Para os captadores eu queria o melhor tom para o estúdio e foi quando eu consegui o tom mais pesado, simplesmente adorei a forma como funcionou. Então, em 2007, nós gravamos o nosso disco “Self-Titled” e tivemos esse insano técnico de guitarra nos ajudando, Walter Rice, que trouxe um monte de brinquedos novos e divertidos a cada dia. As guitarras Sustainiac foi um deles. Eu fiz tantas coisas com a Sustainiac, era tão divertido pra mim. Ela simplesmente me atraiu. Me senti realmente conduzido por esse instrumento e então tive que falar com a Schecter mais uma vez e pergunta-los se eu podia fazer isso, e eles disseram “É claro, você pode fazer o que quiser”, e eu fiz. Usei-a nos shows e etc. Os fãs começaram a ver que as imagens não coincidiam e isso os irritou um pouco, então tivemos de usar no modo geral. Em minha defensa, era impossível na época, porque isso veio de um único cara que tinha uma patente, e ele realmente não estava disposto a fazer outras diferentes ou produzi-las em massa. Felizmente, no momento em que os fãs pediram, ele estava um pouco mais estabelecido com a ideia, e então fomos capazes de pôr em minhas guitarras.”
MF: – Para aqueles que estão um pouco menos familiarizados com o sistema Sustainiac, o que você faz, especialmente?

SG: “Eu uso a Sustainiac para um monte de coisas diferentes. Basicamente, o que ela faz é agir como um EBow. É um EBow de mãos livres, basta clicar o botão e, em seguida, de alguma forma magnética (risos), as cordas começam a vibrar, para que soe como um violino ou algo dessa natureza. Depois, tem um interruptor com três pontos diferentes, um para a nota que você está tocando, uma oitava acima do meio e, em seguida, a terceira posição é de duas oitavas acima. Com isso, você pode obter essas texturas harmônicas muito legais. Eu o uso como um “dive bomb”, “feedback-y” sonoro e coisas desse tipo. Algumas vezes vou usá-lo em uma trilha para terminar um solo. No último álbum, eu usei no final de “Requiem”. Eu odeio contar alguns segredinhos, mas é isso. Estou usando o tempo todo agora. No finalzinho, eu viro a chave, e ela faz uma duas oitavas acima da última nota e meio que continua com um “dive bomb”. É um efeito muito legal.”

MF: – Quantas tentativas e quantos erros houveram no processo de design antes de decidir em qual delas você colocaria o nome?

SG: “Na verdade, eu não me lembro. Foi relativamente rápido. Eu acho que o processo mais longo foi encontrar a obra de arte certa para usar, o trabalho de pintura certo para aquilo. Passando por um número de diferentes ideias e cores, até que os riscos de cor preta e prata funcionaram. Eles nos enviaram uma amostra da forma do cabeçote com os chifres do diabo. Já estava vendida. Eu sabia quais captadores eu queria usar, eles eram muito rápidos e o trabalho de pintura em conjunto estava apenas começando.”

MF: – O esquema de pintura com riscos é muito minimalista, mas ninguém o faz. Quanto tempo levou para chegarem a esse esquema?

SG: “Provavelmente cerca de um mês. Não foi incrivelmente demorado. Nós desenvolvemos a guitarra inteira dentro de poucos meses e fizemos pequenos protótipos logo em seguida. Eu definitivamente queria que ela fosse chamativa, mas sem perder a classe. Poderia possuir o máximo de elegância possível. (risos) A meu ver, ela continha tudo isso. Se destacou da multidão, mas não se parecia com uma ’57 Chevy.”

MF: – Para alguns modelos de assinatura, especialmente os de músicos populares, tais como você – o preço para uma guitarra como essa, é geralmente de muitos milhões de dólares, mas a sua é uma linha com apenas uma boa guitarra, não há uma assinatura ou coisa do tipo. Isso foi um fator no processo de decisão?

SG: “Definitivamente. Eu não precisei inventar mais sinos e assobios só para reforçar o preço. A Schecter sempre foi muito boa se tratando de acessibilidade para as crianças, com o melhor da capacidade, deles e nossa. Você recebe grandes recursos e muita coisa divertida por lá. Pode fazer o que quiser com ela. Então funcionou muito bem.”

MF: – Você tem algum plano para mais corpos de guitarra ou diferentes estilos do todo?

SG: “Eu realmente não havia pensado nisso. Definitivamente, eu me sinto completo com o modelo que possuo agora. Se eu precisasse de alguma coisa um pouco diferente, que necessitasse de um corpo ou um estilo diferente, eu provavelmente faria, mas não só por diversão.”

MF: – Qual é a sua configuração de estrada, à partir da seleção dos auto-falantes?

SG: “Nós usamos a Dunlop, eu acredito que a 2.0, são realmente grossas. Os modelos de guitarra da Schecter, a maioria deles, pelo menos, já possui a Sustainiac. Eu não tenho certeza de qual sistema “wireless” eu uso, mas os amplificadores são da Hellwin, outro empreendimento feito com a Shecter. Nós passamos alguns anos desenvolvendo-os com o melhor designer de amplificadores do mundo, James Brown. É louco! O amplificador mais legal de todos os tempos, em minha humilde opinião. Para o efeitos “loop”, temos o Axe-Fx da Fractal, que cria todos os tipos de efeitos, quentes e incrivelmente ricos sonoramente. Eu o uso em escalas customizadas para que ele não se dilua cada vez que houver uma guitarra harmonizada. O Zacky faz o ritmo e eu simplesmente construo as escalas exóticas.”

MF: – Como isso se compara a sua configuração de estúdio?

SG: “Não muito diferente. (risos) Nós usamos os amplificadores da Hellwin em todas as gravações. Provavelmente usamos o Axe-Fx um pouco. Mas tivemos acesso a uma grande coleção de pedais, então usamos muitos pedais no estúdio.”

MF: – Como os amplificadores Shecter Hellwin surgiram?

SG: “Eles vieram e me perguntaram se eu gostaria de criar uma linha de amplificador com eles. Como eu disse, nós somos bons amigos, então discutimos sobre isso após algumas cervejas e dissemos: “Vamos criar um amplificador”. Fiquei muito honrado quando eles vieram diretamente a mim. Basicamente, eu queria que fosse exatamente o que eu usaria ao vivo e isso se tornou muito mais do que uma assinatura. É tudo que eu sempre procurei em um amplificador, de obviamente, tons e a capacidade de toque aos sons mais limpos que eu já ouvi em toda a minha vida. Quero dizer, eles são rivais dos grandes nomes, como Princetones e e VOXes, Fender Tremolux, e etc. Há dois canais limpos, o que me faz muito, muito orgulhoso. As trocas do MIDI pela Fractal fazem com que eu possa ligar os “loops” da FX e à partir disso você pode fazer o que quiser com isso. É universal. Possui todos os sinos e assobios, parece bizarro. Tem um som tão limpo que lhe deixa fascinado, especialmente para um amplificador de uma banda de metal/rock .”

MF: – Sua concepção sobre isso foi apenas levantar o polegar dizendo que estava satisfeito com o que ouviu ou foi mais como ir atrás de um alvo específico?

SG: “Sim, definitivamente. Eu enviei esse cara, James Brown, que construiu o 5150 da Peavey e trabalhou exclusivamente para a Peavey por anos. Ele trabalha sozinho agora, na Amptweaker.com. Ele faz um monte de pedais velhos e legais que soam irreais. Enviei para ele os meus amplificadores preferidos e falei a ele o que eu gostava e não gostava, e também o que poderia melhorá-los. Então ele trabalhou nisso por um tempo e me enviou um par de protótipos até que eu achei que já estava bem perto do que eu queria. Viajei e fui encontra-lo no fim de semana, nós passamos três dias bebendo e fazendo ajustes nesse amplificador junto com os caras da Shecter. Foi muito, muito divertido e eles lideram com tudo, até com a parte mais difícil, que foi obter o equilíbrio entre o tom excelente e a capacidade de toque. Pode se tornar um pouco desagradável tocar uma das passagens que eram mais fáceis antes. Como eu disse, nós passamos três dias ajustando e aprimorando tudo isso. Ele deixou o som limpíssimo, e conseguiu igualar a capacidade de toque com os tons.”

MF: Esse amplificador, assim como sua linha de guitarras, foi construída já com um preço em mente?

SG: “Sim. Esse amplificador foi um pouco caro, mas como eu disse, não quero que as crianças digam “Isso não é o que ele usa”. Eu precisaria colocar a comutação MIDI no meu amplificador. Se eu não pusesse, seria mais barato, mas eles descobririam que eu havia usado o MIDI. Infelizmente, é um pouco caro, mas mesmo para amplificadores de boutique, possui um ótimo preço, que pra mim é melhor do que amplificadores normais de mercado. Esse é um amplificador de alta qualidade com um ótimo preço e uma série de funcionalidades. Você não precisa de outro amplificador para limpar o som, isso ou aquilo. Com ele você possui uma pegada muito rica em jazz e tem um som inacreditavelmente brilhante e limpo, no metal e no rock. São muitos amplificadores em um só, de fato.”

MF: – Você já falou que usar um “noise gate” é um pesadelo.

SG: “É (risos), o meu amado “noise gate”. Sim, para obter aquele som cônico e perfeito sem afetar seu tom, levou um tempo. James teve que ir embora depois de terminar. Nós tínhamos o tom certo e era incrível. Sabíamos o que tínhamos de fazer para o “gate”, mas simplesmente não tínhamos tempo parar aperfeiçoá-lo. Ele abriu espaço para todas as pequenas e estranhas coisas sem estragar o som. Esse cara é um gênio. Digo, ele senta e descobre qualquer problema. Ele pode achar a solução para tudo. Extraordinário. Terminamos tudo e soava incrível! O “gate” é irreal e eu estou muito orgulhoso dele.”

MF: – Você usou exclusivamente a Hellwin ou também misturou algumas coisas no último álbum?

SG: “Quase exclusivamente a Hellwin. Eu acho que há algumas texturas as quais usamos, mas nem tenho muita certeza de quais são. Preciso descobrir. Rob Cavallo produziu alguns álbuns do Green Day com isso, envenenaram uma coisa ou outra, mas é basicamente um tipo de uso muito minimalista. Literalmente, ganhamos um “tiroteio cego” de 15 amplificadores e 25 combinações inteiras, tudo junto. Tudo à partir do meu amplificador, meu cabeçote, à minha cabeça. Através de cabeçotes da Marshall, por isso e aquilo. Quero dizer, usamos uma tonelada de equipamentos diferentes. Olhamos para essa frase repetida e vimos um sinal. E foi um sinal gravado, tínhamos acabado de recriar um amplificador que não era suscetível a minha forma pobre de tocar. Todos votaram pelo amplificador, foi unânime. Era meu amplificador contra o meu cabeçote. Eu não esperava usá-lo em estúdio, porque você faz coisas estranhas para conseguir o que se parece um tom normal às vezes. Surpreendentemente, ficou muito legal, deu certo. Eu sei que os amplificadores soam bem, não me preocupo com isso. Definitivamente vou usá-lo ao vivo, mas às vezes você microfonar ou sei lá. Às vezes é melhor traduzido em estúdio. É simplesmente a coisa mais estranha do mundo como essa merda funciona! Mas foi um bom dia pra mim.”

MF: – Como sua plataforma evoluiu à partir dos primeiros dias?

SG: “Praticamente Axe-Fx e Hellwin, mas eles são diferentes. Eu costumava usar Mesa Boogie no começo, mas então passei por muitos amplificadores 5150 diferentes, muita coisa. Sempre foi meia quantidade, sabe? Não mudou muita coisa, além da guitarra e do amplificador.”

MF: – Você sempre teve uma ideia de como você queria o seu som, ou ele evoluiu por si só ao longo dos anos?

SG: “Definitivamente, ele evoluiu. Eu acho que quando você se torna mais confidente e bem sucedido e percebe que os fãs gostam do seu som, você não se preocupa mais em parecer com Dimebag Darrell, Slash, nem com ninguém. Você só foca em você, o que é gratificante. Mas, sim, em 1999 e 2000, eu só queria soar como Dimebag Darrell.”

MF: – Quem não queria?

SG: “Exatamente.”

MF: – O novo álbum, “Hail to the King”, é uma espécie de versão reduzida dos anos passados, mas ainda possui guitarras pesadas. Qual foi a parte da guitarra mais difícil para você escrever e/ou gravar, e por quê?

SG: “Oh, meu Deus! Provavelmente “Planets”, penúltima música, porque ela é muito irregular. Nós realmente queríamos dar essa qualidade cinematográfica para ela, mas mantendo a melodia cativante que ligasse tudo junto, então se você a dividisse, pensaria “Whoa, tem muitos acordes diferentes, muitas modulações loucas, mudanças de acordes e etc.” É um tipo diferente de arranjo, mas mesmo assim, é gostoso e passa exatamente o que estávamos tentando passar. Que foi uma puta guerra intergaláctica, eu acho.”

MF: – Qual foi o solo mais difícil de se fazer nesse álbum?

SG: “Foram todos difíceis, tanto de escrever como de tocar. Elas levam possuem praticamente o mesmo tempo de duração, não há nenhuma que tenha se estendido mais. Definitivamente “Planets” e “Acid Rain” são os meus dois solos favoritos.”

Tradução: Hanna Dara

2 pensamentos sobre “Musician’s Friend entrevista Synyster Gates

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s